Título: Nossa Senhora de Guadalupe
Técnica: Metaloplastia e pátina
Modalidade: Escultura
Material: Alumínio
Dimensões: 51 cm x 66 cm
Ano: 2025-2026
Nossa Senhora de Guadalupe em Metaloplastia
A arte sacra sempre ocupou um lugar singular na história da humanidade. Entre as imagens mais veneradas do cristianismo está a representação de Nossa Senhora de Guadalupe, cuja origem remonta às aparições atribuídas a Nossa Senhora no México do século XVI. Mais do que um ícone religioso, trata-se de uma imagem carregada de simbolismo espiritual, cultural e histórico.
Ao decidir criar uma releitura dessa imagem em metaloplastia, assumi não apenas um desafio técnico, mas também uma responsabilidade simbólica. O objetivo não era reproduzir, mas reinterpretar respeitando a essência, ao mesmo tempo em que incorporava minha linguagem artística e minha trajetória no trabalho com metal.
A imagem original associada à devoção guadalupana é considerada por milhões de fiéis como milagrosa e objeto de inúmeras pesquisas científicas ao longo dos séculos. Independentemente da perspectiva religiosa ou histórica, o que me moveu foi a força estética e simbólica da composição:
* A postura serena.
* O manto projetando o céu estrelado.
* A aura radiante.
* A lua sob os pés.
* O anjo sustentando a figura.
Cada elemento carrega um significado profundo. Ao reinterpretar essa imagem, busquei preservar essa estrutura simbólica, mas traduzindo-a para a linguagem do relevo metálico.
A obra foi executada em chapa de alumínio, técnica que exige precisão, paciência e domínio do repuxo manual. Trabalhar com metal exige controle absoluto na pressão e na profundidade dos relevos. O processo abrange inúmeras etapas até a conclusão final, uma trajetória longa desde o estudo detalhado da imagem e esboços até a finalização com pedrarias. O trabalho em metaloplastia transforma uma chapa maleável em uma obra tridimensional sólida, mantendo a delicadeza do metal e agregando resistência.
Importante ressaltar que na metaloplastia, a luz é parte da obra. Diferente da pintura, onde o volume é sugerido, aqui ele é real. Cada dobra no manto foi cuidadosamente trabalhada para que a incidência luminosa criasse sombras naturais. O rosto exigiu um cuidado especial, pois pequenas variações de milímetros alteram completamente a expressão. A lua sob os pés recebeu tratamento de relevo suave, enquanto a auréola foi desenvolvida com maior projeção para criar contraste entre plano e profundidade. A intenção foi criar uma imagem que, ao ser observada lateralmente, revelasse a força tridimensional, e, frontalmente, mantivesse a delicadeza devocional.
O tratamento superficial foi uma das etapas mais importantes, como nas pinturas em tela é ela que realça a obra, e na metaloplastia além de realçar ela complementa a obra com luz. E esta por sua vez, por ser uma obra maior e com produtos que resultam em secagem rápida, foi um processo desafiador.
Para alcançar uma tonalidade quente e levemente dourada a pintura foi aplicada e removida por três vezes até encontrar composição ideal. Posteriormente, a peça recebeu proteção com verniz acrílico, garantindo preservação da superfície metálica. A escolha do acabamento foi estratégica: não buscava brilho excessivo, mas sim sobriedade e nobreza.
Uma Releitura de Originalidade e Respeito
É importante compreender que esta obra não é uma reprodução, mas uma releitura artística. Minha intenção foi trazer a imagem para o universo da metaloplastia, transformando um ícone bidimensional em uma presença escultórica. Cada golpe de ferramenta carrega variações impossíveis de replicar mecanicamente. Isso faz com que a obra seja absolutamente única.
Criar uma obra sacra exige estado de presença. Não é apenas execução técnica é uma construção física da fé através da matéria A repetição dos movimentos manuais cria quase um estado meditativo. Cada detalhe do manto, cada estrela, cada traço do rosto foi trabalhado com intenção e concentração.
A metaloplastia, nesse contexto, torna-se também uma prática contemplativa.
Mais do que uma peça decorativa, trata-se de uma obra que dialoga com fé, história e permanência.
Como artista que trabalha com metal, sinto que há algo profundamente coerente em representar o sagrado através de um material resistente e duradouro. A espiritualidade, assim como o metal, atravessa o tempo. E é nessa interseção entre matéria e transcendência que esta obra encontra sua verdadeira essência.
Antonio Montibeller



Nenhum comentário:
Postar um comentário
Seu comentário é sempre bem vindo!
Se quiser fazer contato por e-mail utilize:
antonio.beller@hotmail.com