terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Nossa Senhora de Guadalupe em Metaloplastia
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Obra Milionária de Picasso será sorteada Mundialmente
Arte, sorteios e solidariedade: quando uma obra de Picasso financia a saúde
É exatamente esse o caso de um sorteio internacional que envolve uma obra original de Pablo Picasso, avaliada em milhões, e que tem como objetivo principal arrecadar fundos para pesquisa científica na área da saúde, especialmente voltada a doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.
Uma obra de Picasso fora do circuito tradicional
O trabalho em questão, Tête de femme (1941), foi criado durante um período marcante da trajetória de Picasso, em meio às tensões da Segunda Guerra Mundial. Como muitas obras do artista, carrega não apenas valor estético, mas também histórico e emocional. Em condições normais, uma peça como essa circularia exclusivamente em grandes casas de leilão ou permaneceria inacessível ao público comum.
Tête de femme (1941)
O que torna essa iniciativa singular é o formato escolhido: em vez de um leilão convencional, optou-se por um sorteio internacional, no qual qualquer pessoa pode participar adquirindo um bilhete por um valor relativamente acessível quando comparado ao preço real da obra.
Arte como ferramenta de financiamento coletivo
O modelo do sorteio une dois universos que raramente dialogam de forma tão direta: o mercado da arte de alto valor e o financiamento coletivo para causas sociais. Ao democratizar o acesso à possibilidade de adquirir uma obra icônica, a iniciativa amplia exponencialmente o alcance da arrecadação.
Cada bilhete vendido contribui diretamente para fundos destinados à pesquisa em saúde, reforçando a ideia de que a arte pode ir além do campo simbólico e atuar de maneira prática na construção de soluções para problemas reais da sociedade.
Impacto social e responsabilidade cultural
Mais do que a possibilidade de ganhar uma obra milionária, o projeto provoca uma reflexão importante: qual é o papel social da arte hoje?
Historicamente, a arte sempre esteve ligada ao poder, à religião e às elites econômicas. Contudo, movimentos contemporâneos vêm ressignificando esse lugar, mostrando que obras e artistas podem atuar como agentes de impacto social, educação e conscientização.
Nesse contexto, o sorteio de uma obra de Picasso não diminui seu valor — pelo contrário, amplia seu significado. A peça passa a carregar não apenas a assinatura de um dos maiores artistas do século XX, mas também a marca de uma ação solidária, coletiva e global.
Entre o acaso e a consciência
O sorteio introduz o elemento do acaso, algo aparentemente distante do universo controlado dos grandes leilões. Ainda assim, o gesto de participar deixa de ser apenas uma aposta e se transforma em um ato consciente de apoio à ciência e à saúde.
Mesmo para quem não recebe a obra, permanece o impacto: recursos arrecadados, pesquisas financiadas e uma narrativa poderosa sobre como a arte pode atravessar fronteiras — físicas, econômicas e simbólicas.
Arte que ultrapassa o objeto
Iniciativas como essa reforçam uma visão cada vez mais necessária: a de que a arte não se encerra no objeto final. Ela vive nas conexões que cria, nas perguntas que levanta e nas transformações que provoca.
Quando uma obra de Picasso se torna meio para financiar pesquisas médicas, ela deixa de ser apenas um ícone do passado e passa a atuar diretamente na construção do futuro.
Talvez essa seja uma das expressões mais potentes da arte contemporânea: não apenas representar o mundo, mas ajudar a transformá-lo.
O sorteio acontecerá no dia 14 de Abril de 2026 pela casa de leilões Christie's
Caso tenha interesse em participar do sorteio clique no link abaixo:
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Refik Anadol: A Arte do Futuro Criada com Inteligência Artificial
A Revolução da Arte com Inteligência Artificial
Refik Anadol utiliza redes neurais e aprendizado de máquina para criar composições visuais únicas. Seu processo envolve a coleta de grandes volumes de dados – desde registros climáticos até informações de museus e cidades – e sua conversão em formas e texturas dinâmicas. A IA, treinada para interpretar esses dados, gera padrões e estruturas visuais que, posteriormente, são organizadas pelo artista em narrativas fluidas e imersivas.
Com isso, Anadol desafia a concepção tradicional de criação artística. Suas obras não são apenas pinturas ou esculturas, mas sim paisagens digitais que capturam a essência da informação e a transformam em arte.
Obra Leiloada por Criptomoeda
O impacto de Refik Anadol no mundo da arte digital atingiu um marco histórico quando uma de suas obras foi leiloada e arrematada com criptomoedas. A peça intitulada Machine Hallucinations foi vendida por valores impressionantes, mostrando o potencial dos tokens não fungíveis (NFTs) na arte contemporânea. O uso da blockchain não apenas garantiu a autenticidade e exclusividade da obra, mas também reforçou a viabilidade da arte digital como um investimento valioso.
Esse evento marcou um novo paradigma para o mercado artístico, evidenciando que a tecnologia blockchain e os criptoativos podem proporcionar novas possibilidades para artistas e colecionadores em todo o mundo.
Projetos Visionários
Refik Anadol não se limita às galerias ou leilões. Ele já colaborou com instituições renomadas, como a NASA, a Google e grandes museus internacionais. Seus projetos exploram desde a memória das cidades até simulações de sonhos gerados por inteligência artificial.
Um dos seus trabalhos mais icônicos, WDCH Dreams, foi uma colaboração com a Orquestra Filarmônica de Los Angeles. A obra utilizou mais de 45 terabytes de arquivos sonoros e visuais do acervo da orquestra para criar uma experiência audiovisual única projetada na fachada do Walt Disney Concert Hall.
Além disso, seu projeto Quantum Memories, exposto na National Gallery of Victoria, utilizou dados quânticos processados por IA para criar imagens e animações que desafiam a percepção do real e do digital.
Entrevista Exclusiva para o Google
Refik Anadol também foi destaque em uma entrevista exclusiva para o Google, onde discutiu sua abordagem inovadora e o papel da inteligência artificial na arte. Durante a conversa, ele explicou como a IA pode ser uma ferramenta criativa e colaborativa, expandindo as fronteiras da imaginação humana.
Ele destacou ainda a importância da experimentação e da tecnologia como elementos essenciais para a evolução da arte no século XXI. Segundo Anadol, a inteligência artificial não substitui o artista, mas sim amplia suas possibilidades, permitindo a criação de novas formas de expressão visual.
Confira a entrevista:
Refik Anadol está na vanguarda da revolução digital na arte, provando que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta poderosa na criação artística. Suas obras imersivas, seus projetos inovadores e sua inserção no mercado de NFTs consolidam sua posição como um dos artistas mais visionários da atualidade.
A fusão entre arte e tecnologia que ele promove não apenas redefine o conceito de criatividade, mas também abre caminho para novas possibilidades na forma como consumimos e interpretamos a arte. O futuro da arte já começou, e Refik Anadol está na linha de frente dessa transformação.
Aqui neste link você poderá ver mais trabalhos do artista Refik Anadol:
👉 https://refikanadol.com/works/
sexta-feira, 30 de agosto de 2024
Stairway To Heaven Honor
Dimensões: 50 cm x 65 cm
Técnica: Nanquim e aquarela
A obra de arte Stairway To Heaven Honor foi criada pelo artista Antonio Montibeller, inspirada na icônica canção Stairway to Heaven da banda britânica Led Zeppelin. A peça surgiu a pedido de seu amigo Lucas Borgonha Lopes, um apaixonado fã da lendária banda de rock.
Em 15 de março de 2021 Montibeller recebeu o desafio de criação, envolvido em vários outros projetos aos poucos começou a pesquisa meticulosa sobre a história da banda, a música, a melodia e seus significados, tanto no contexto específico quanto de maneira que pudesse apresentar algo harmonioso. Durante o ano de 2021, Montibeller continuou sua busca interna por um conceito que capturasse a essência da música, ouvindo-a repetidamente para obter uma compreensão mais profunda.
Em 2022 os primeiros traços e ideias surgem em garatujas e esboços que definem o início de uma grande jornada em busca da perfeição de uma imagem que correspondesse ao nível de sensibilidade atribuída à musica pelos cantores da banda. A obra não apenas incorpora mensagens ocultas, mas também serve como uma homenagem aos anos de sucesso da banda. Por isso, Montibeller decidiu intitular a peça Stairway To Heaven Honor, acrescentando a palavra "HONOR" para refletir sua reverência e respeito pela obra musical e pela banda.
A seguir está um texto detalhado sobre a criação da icônica canção Stairway to Heaven da banda Led Zeppelin:
A canção "Stairway to Heaven"
Stairway to Heaven, uma das músicas mais emblemáticas da banda Led Zeppelin, é frequentemente considerada uma obra-prima do rock e uma das composições mais influentes da história da música. A canção, lançada em 1971, tem uma história fascinante que combina criatividade musical, influências culturais e um processo de composição meticuloso. A seguir, exploramos a criação e o impacto de Stairway to Heaven, baseando-nos em uma análise abrangente das fontes disponíveis na internet e em registros históricos.
Contexto e Composição
A canção foi criada durante um período de intensa atividade criativa para a banda Led Zeppelin. Formada em 1968, a banda rapidamente se estabeleceu como uma força dominante no rock, com seu estilo inovador que misturava blues, hard rock e elementos de música folclórica. Até 1971, Led Zeppelin já havia lançado três álbuns de estúdio aclamados e estava trabalhando em seu quarto álbum, , que mais tarde seria conhecido informalmente como Led Zeppelin IV.
A ideia para Stairway to Heaven surgiu durante uma sessão de gravação para o álbum Led Zeppelin IV. A banda estava hospedada na casa de um amigo, o produtor musical Jimmy Page, na área rural do País de Gales. Em uma noite de inverno, enquanto a banda estava reunida em torno da lareira, Page começou a tocar um riff de guitarra acústica que acabaria se transformando na introdução da música. Esse riff inicial foi acompanhado por uma série de acordes e melodias que Robert Plant, o vocalista, começou a cantar.
A composição foi desenvolvida ao longo de vários meses. O processo foi colaborativo e envolveu experimentação e ajustes constantes. A letra da música, que é conhecida por sua profundidade e complexidade, foi escrita por Robert Plant e reflete uma série de temas esotéricos e filosóficos, incluindo espiritualidade, busca pessoal e crítica ao materialismo.
Gravação e Produção
A gravação de Stairway to Heaven foi um processo cuidadoso e meticuloso. A banda trabalhou no estúdio Island Records em Londres, com Jimmy Page assumindo o papel de produtor. A faixa foi gravada ao longo de várias sessões e envolveu uma série de técnicas de produção inovadoras para a época.
Uma das características notáveis da gravação é a maneira como a música evolui em sua estrutura. Começa com uma introdução suave de guitarra acústica, evolui para um solo de flauta, e então se transforma em uma seção de rock pesado com solos de guitarra elétrica. Esta progressão dinâmica foi um dos aspectos que contribuiu para a longevidade e a popularidade da música.
A produção também incluiu o uso de técnicas de mixagem inovadoras. A equipe de produção utilizou um estúdio de 8 canais, que era relativamente avançado na época, para capturar a complexidade da música. O engenheiro de som, Eddie Kramer, trabalhou com Page para criar uma mixagem que destacasse os diferentes elementos da música, desde a delicadeza da introdução até a intensidade do clímax.
Lançamento e Impacto
Stairway to Heaven foi lançada em 8 de novembro de 1971 como parte do álbum *Led Zeppelin IV*. A música não foi lançada como um single, o que era incomum para uma faixa de sucesso, mas isso acabou ajudando a criar uma aura de mistério e exclusividade em torno da música. Em vez disso, o álbum foi promovido como um todo, e a canção ganhou popularidade através das rádios e das performances ao vivo da banda.
A recepção crítica inicial foi positiva, e a música rapidamente se tornou um dos maiores sucessos da banda. Stairway to Heaven é frequentemente citada como uma das melhores canções de rock de todos os tempos e tem sido amplamente elogiada por sua estrutura inovadora, letras enigmáticas e execução técnica.
O impacto cultural da música é significativo. Ela influenciou uma geração de músicos e compositores, e seu reconhecimento e popularidade ajudaram a consolidar Led Zeppelin como uma das maiores bandas de rock da história. A música também gerou uma série de interpretações e análises, com fãs e críticos discutindo seus significados e simbolismos.
Legado
Hoje, Stairway to Heaven continua a ser uma peça central na discografia de Led Zeppelin e é uma referência essencial na história do rock. A canção é frequentemente incluída em listas de melhores músicas de todos os tempos e permanece uma das favoritas em rádios e plataformas de streaming. Seu legado é um testemunho da habilidade criativa e da visão musical da banda, bem como da sua capacidade de criar uma peça que transcendeu o tempo e se tornou uma parte duradoura da cultura musical.
Em resumo, Stairway to Heaven não é apenas uma canção; é uma obra-prima que encapsula a criatividade, a inovação e o impacto duradouro da banda Led Zeppelin. Seu processo de criação, desde a concepção inicial até a gravação final, reflete a dedicação e a visão que definiram a carreira da banda e estabeleceram um padrão para futuras gerações de músicos e compositores.
terça-feira, 11 de julho de 2023
Om, O som do Universo
quinta-feira, 18 de maio de 2023
Entrevista com o artista Antonio Montibeller
Nesta entrevista para a Revista Online Arts Ilustrated, você poderá conhecer um pouco da sua história com a arte. Clique aqui e confira a entrevista na íntegra.
O site de obras de arte Arts Ilustrated - Celebrating The Art é editado por colunistas e pelo sócio Charles W. Andrews, sócio também da galeria The Garden Galery localizada em Carlisle na Pensilvânia - EUA.
segunda-feira, 24 de abril de 2023
A Madonnina
Releitura da pintura "A Madonnina " de Roberto Ferruzzi, esculpida em lâmina de alumínio com a técnica da Metaloplastia, mede 29cm x 42cm. Autor: Antonio Montibeller.
A Madonnina , comumente conhecida como a Madona das Ruas , foi uma pintura criada por Roberto Ferruzzi (1854–1934) que ganhou a segunda Bienal de Veneza em 1897.
Os modelos para esta
pintura foram Angelina Cian (11 anos) e seu irmão mais novo. Embora não tenha sido originalmente pintada como uma imagem religiosa, esta
pintura tornou-se popular como uma imagem da Virgem Maria segurando seu filho
recém-nascido e se tornou a mais renomada das obras de Ferruzzi.
Destino da pintura
original
A pintura original fez
sua primeira aparição em uma exposição de arte em Veneza em 1897. John
George Alexander Leishman , milionário do aço e diplomata, que morreu em 1924
na França, comprou a pintura, mas não os direitos de reprodução; ele é o
último dono conhecido. É possível que a imagem tenha entrado em uma coleção de
arte particular na Pensilvânia na década de 1950, mas a localização atual
do original é desconhecida. Uma pintura a óleo original intitulada Madonna and
Child de Florença, Itália, foi legada às Irmãs de São Casimiro pelo Dr. Edgar
W. Crass em 1950 e tem uma notável semelhança com as impressões atuais dos
desaparecidos.La Madonnina de Roberto Feruzzi.
Uma segunda possibilidade é que ele tenha se perdido no mar no Oceano Atlântico em uma viagem da Europa para os Estados Unidos. Uma pintura a óleo apareceu recentemente que pode ser a pintura original ,mas não foi garantida pela agência que a possui.
Roberto Ferruzzi nasceu em Sebenico na Dalmácia (hoje Šibenik , Croácia ) em 1853, filho de pais italianos. Aos quatro anos mudou-se para Veneza com sua família. Após a morte de seu pai, um advogado, ele voltou para a Dalmácia para estudar os clássicos . Em 1868, voltou a Veneza para se matricular no Liceo Marco Foscarini . Posteriormente, ingressou na Universidade de Pádua e formou-se em direito, porém, em vez de exercer a advocacia, ganhou vocação como pintor autodidata. Posteriormente, mudou-se para Luvigliano , uma frazione de Torreglia , onde pintou Madonnina em 1897.
Ferruzzi exibiu seu
trabalho pela primeira vez em 1883 em Turim, consistindo principalmente em
pinturas de figuras. Em 1887, expôs em Veneza uma tela intitulada La prima
penitenza , uma pintura de gênero de um menino rezando um rosário em penitência
por mau comportamento, enquanto sua avó observava divertida. Em 1891-1892, na
exposição de Palermo , sua pintura de gênero Hush! Ganhou um prêmio. Em 1897,
expôs a Madonnina e Toward the Light em Veneza.
Ferruzzi morreu em 16 de
fevereiro de 1934 em Veneza e foi enterrado no pequeno cemitério de Luvigliano
no terreno de sua família, perto de sua esposa Ester Sorgato e sua filha
Mariska.
Teve dois descendentes
com o mesmo nome: o filho Roberto (apelidado de Bobo), pintor de lagoas; e seu
neto Roberto (apelidado de Robi), avaliador de arte e antiquário.
domingo, 23 de abril de 2023
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
Releitura da pintura de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, esculpida em lâmina de alumínio com a técnica da Metaloplastia, mede 29cm x 42cm. Autor: Antonio Montibeller.
O autor do ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, exposto à visitação dos fiéis na igreja de Santo Afonso de Ligório, em Roma, permanece desconhecido até nossos dias. Segundo a tradição da Igreja o artista que pintou a imagem da Virgem do Perpétuo Socorro inspirou-se em um ícone atribuído a São Lucas. Além de médico, homem culto e letrado, o Evangelista foi provavelmente um dos primeiros iconógrafos da história da Igreja. Segundo antiga tradição, São Lucas teria pintado ícones de Jesus Cristo, da Virgem Maria, de São Pedro e São Paulo. Há pinturas atribuídas a ele que existem até hoje, como é o caso dos ícones da "Theotokos de Vladimir" e de "Nossa Senhora de Czenstochowa".
A veneração dos ícones sagrados esteve presente na Igreja desde os primórdios do cristianismo. As imagens de Jesus Cristo, de Nossa Senhora, dos outros santos e dos anjos fazem parte da tradição bimilenar da Igreja Católica. No II Concílio de Niceia, em 787, o Magistério da Igreja "justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: dos de Cristo, e também dos da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova 'economia' das imagens".
No início do século XVI, surgiram entre os protestantes
"novos iconoclastas" e, a exemplo do que aconteceu no passado, em
nome da fidelidade às Sagradas Escrituras, nossas imagens sagradas foram
quebradas e nossas igrejas terminaram invadidas, depredadas e queimadas. Este
fato fez com que o culto às imagens sagradas fosse perdendo a sua força em
muitas comunidades, ao passo que, com a tradução da Bíblia do latim para as
mais diversas línguas, o culto às Escrituras ganhou cada vez mais força. Essa
tendência se tornou ainda mais forte quando, por conta de um falso ecumenismo,
passou-se a suprimir as imagens das igrejas e das casas.
Em tempos de iconoclastia entre os cristãos, o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro parece ser para nós como que um sinal dos céus para que voltemos às nossas origens.
No final do século XV, um negociante roubou a imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do altar onde estava, na ilha de Creta, onde era venerada pelo povo cristão. O mercador viajou com o ícone, de navio, para Roma e escapou milagrosamente de uma tormenta em alto-mar. Já na Cidade Eterna, ele adoeceu gravemente e, por isso, procurou a ajuda de um amigo. No seu leito de morte, o comerciante, arrependido, contou ao amigo que roubou o quadro e pediu a ele que o devolvesse a uma igreja. Este prometeu devolver a obra de arte sacra, mas depois mudou de ideia e morreu, sem ter cumprido a promessa feita ao amigo comerciante.
Para que se cumprissem os desígnios divinos, a Santíssima
Virgem Maria apareceu a uma menina de seis anos, familiar de quem portava o
ícone, e "mandou-lhe dizer à mãe e à avó que o quadro devia ser colocado
na Igreja de São Mateus Apóstolo, situada entre as basílicas de Santa Maria
Maior e São João Latrão, sob o título de Perpétuo Socorro" [3]. Em
obediência, o ícone foi devolvido e exposto na igreja de São Mateus em 27 de
março de 1499. A partir do século XVI, a devoção começou a se divulgar em toda
Roma e, anos mais tarde, pelo mundo inteiro. Nessa igreja, a imagem foi
venerada durante os 300 anos seguintes. Em 1798, a igreja de São Mateus foi
destruída e a imagem foi retirada a tempo, mas ficou quase que esquecida. Até
que, em 26 de abril de 1866, o ícone foi entronizado na Igreja de Santo Afonso,
onde permanece até hoje.
No ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, temos alguns simbolismos que se fazem presentes no Evangelho segundo São Lucas.
O ícone da Virgem do Perpétuo Socorro.
Na imagem, vemos a mão direita de Maria apontando para seu Filho e no Evangelho temos várias passagens que apontam para Jesus como o Messias esperado pelo Povo de Israel: "O ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus" (Lc 1, 35b); "Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador" (Lc 1, 46b-47); "Eis aqui a serva do Senhor" (Lc 1, 38a); "E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho" (Lc 1, 76). Naquele tempo, raramente alguém tinha um livro das Sagradas Escrituras. Possuir uma passagem da Escritura era também muito raro. Por isso, como já dissemos, os primeiros discípulos de Cristo olhavam para os ícones, nas casas das poucas pessoas que os possuíam, e neles "liam" os textos sagrados.
Entre os simbolismos presentes na imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, talvez o teologicamente mais rico e espiritualmente mais significativo seja o retrato do Calvário. Ao contemplar a Virgem do Perpétuo Socorro, vemos à sua esquerda o arcanjo São Miguel, que apresenta a lança, a vara com a esponja e o cálice das amarguras que o Cristo sorveu até o fim. À direita, está o arcanjo São Gabriel, com a cruz e os cravos, que foram os instrumentos da paixão e morte de Jesus. O Menino Jesus, o Perpétuo Socorro em pessoa, assustado ao olhar para os instrumentos de Sua paixão, com as duas mãos, segura firmemente a mão direita de sua Mãe, como que nos ensinando a confiar-nos inteiramente a ela, especialmente nos momentos de medo, dor e sofrimento.
Para completar a nossa "leitura" do ícone, na perspectiva do mistério pascal de Cristo, podemos olhar para Maria como a Virgem das Dores. A sua mão esquerda, que sustenta o Filho, simboliza a sua presença aos pés da cruz (cf. Jo 19, 25). O seu olhar materno, ao mesmo tempo que demonstra o acolhimento e o cuidado para com cada um de nós, que fomos entregues a ela como filhos, é um convite para que a levemos para o que é nosso, ou seja, para a nossa vida interior, como fez o discípulo amado (cf. Jo 19, 27).
Um detalhe do ícone, que pode passar despercebido, é a sandália desamarrada, que pode simbolizar um pecador, preso a Jesus apenas por um fio, fio este que é a devoção a Santíssima Virgem. Este "fio" tão frágil pode ser uma lembrança, ou uma devoção sem muita piedade, que num momento de desespero, de sofrimento, pode nos manter unidos ao Senhor. Vemos uma imagem disto naquela que é provavelmente a mais conhecida e bela parábola de Jesus, presente somente no Evangelho escrito por Lucas: a parábola do filho pródigo. Depois de deixar a casa do pai e de gastar toda a sua fortuna numa vida desenfreada, o filho esbanjador estava na situação humilhante de cuidar de porcos. Para os judeus que ouviram de Jesus esta parábola, cuidar de porcos era ainda mais humilhante, porque eles os consideravam animais impuros. Para completar a humilhação, o rapaz, faminto, queria comer a comida dos porcos, mas nem isso lhe era dado para comer (cf. Lc 15, 11-16). Foi então que ele entrou em si, refletiu, recordou-se que na casa de seu pai até mesmo os empregados tinham pão em abundância e tomou a decisão de voltar (cf. Lc 15, 17-18). Da mesma forma, um pecador pode voltar para Jesus e se salvar pela simples devoção que tem à Virgem Maria, ou até mesmo por uma vaga lembrança do amor que nutre por ela.
Nas passagens do Evangelho que falam dos dois ladrões, crucificados à direita e à esquerda de Jesus, há aparentemente uma contradição, que pode nos ajudar a aprofundar nossa reflexão. Em Mateus e Marcos, ambos escarneciam de Jesus: "E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam" (Mt 27, 44; cf. Mc 15, 32). Mas, em Lucas, apenas um dos malfeitores blasfemava (cf. Lc 23, 39). O outro, que segundo a tradição se chamava Dimas, não somente repreendeu o outro ladrão, mas também reconheceu que para eles aquela condenação era justa, mas não para Jesus, pois não tinha feito mal algum (cf. 23, 40-41). A razão desta aparente contradição é que, segundo uma visão da mística Beata Anna Catharina Emmerich, a princípio, ambos escarneciam do Cristo, até que algo inesperado aconteceu:
"Dimas, o bom ladrão, obteve pela oração de Jesus uma
iluminação interior, no momento em que a Santíssima Virgem se aproximou.
Reconheceu em Jesus e em Maria as pessoas que o tinham curado [da lepra] quando
era criança e exclamou em voz forte e distinta: 'O quê? É possível que
insulteis Àquele que reza por vós? Ele se cala, sofre com paciência, reza por
vós e vós o cobris de escárnio? Ele é um profeta, é nosso rei, é o Filho de
Deus'".
Naquele momento derradeiro de sua vida terrena, São Dimas recebeu a graça de recordar de Jesus e de sua Mãe. A partir dessa lembrança de sua infância, começou o extraordinário processo de conversão do bom ladrão, que culminou no seu ousado pedido: "Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!" (Lc 23, 42). A salvação de São Dimas estava por um "fio", que era a vaga recordação de uma cura, operada pelas mãos do Menino Jesus e de Maria. Dessa forma, quase no último momento de sua vida, o bom ladrão "roubou" o Céu, a salvação eterna.
Ainda que nossa situação seja semelhante à do filho pródigo, ou como a do bom ladrão, e nossa vida esteja unida a Cristo apenas por um "fio", entreguemo-nos com confiança à Virgem das Dores, que nos foi dada, pelo próprio Filho, por Mãe (cf. Jo 19, 27). Assim, da mesma forma que a Mãe de Deus contribuiu para a cura e a salvação de São Dimas, ela nos alcançará os bens necessários para a nossa vida terrena e principalmente para chegarmos à glória celeste.
Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/o-pintor-da-virgem-do-perpetuo-socorro. Equipe Christo Nihil Preaponere.
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
Obra "Menina com Balão" de Banksy será novamente leiloada
Agora rebatizada de "Love is in the Bin" é uma intervenção artística de 2018 por Banksy na Sotheby's London, com uma inesperada autodestruição de sua pintura de 2006 de "Girl with Balloon" imediatamente após ter sido vendida em um leilão por um recorde de £ 1.042.000 equivalente a R$ 7.540.000,00. De acordo com a Sotheby's, é "a primeira obra de arte da história criada ao vivo durante um leilão".
A pintura está em empréstimo permanente para a Staatsgalerie Stuttgart desde março de 2019.
A pintura voltará a ser leiloada dia 14 outubro de 2021, com um preço de venda estimado de £ 4 a £ 6 milhões de libras (28 a 43 milhões de reais).
Veja aqui a reportagem referente a intervenção artística de 2018.
















